Catolicidade e Apostolicidade

Por Kevin DeYoung

Como pastor eu não tenho muito tempo para ler revistas acadêmicas, mas eu assino o the Journal of the Evangelical Theological Society e the Westminster Theological Journal. Alguns artigos estimulam minha fantasia mais que outros,mas sempre encontro algo benéfico.

Ponto em questão: artigo de Robert Letham, “Catolicidade Global e Histórica: Constantinopla, Westminster e a Igreja no Séc. XXI” na edição de primavera do WTJ (Vol. 72, No. 1). (Aparte, o livro de Letham, The Holy Trinity é um dos melhores livros teológicos que li.) Neste artigo Letham relaciona dois pontos:

1) A igreja global, se for verdadeiramente católica(universal), precisa ser apostólica, isto é, alicerçada nas Escrituras bem como no entendimento tradicional ortodoxo eclesiástico.

2) A igreja evangélica, se é para ser apostólica, precisa de mais esforço para ser católica. Isto é, ser consciente da amplitude e profundidade do ensinamento histórico da igreja.

Por exemplo, Letham argumenta que a Assembléia de Westminster não concebeu o seu trabalho como uma defesa de uma tradição restrita.

O contexto Reformado da Assembleia estabelece suas credenciais Católicas, os Reformadores não estavam em desacordo com a tradição católica, mas com seus representantes imediatos. Há abundantes evidências de Lutero, Calvino e seus contemporâneos. No caso de Westminster, estas estão abundantemente demonstradas em suas minutas, onde os registros mostram sem sombra de dúvida de que todas as questões teológicas foram debatidas a partir de uma base  exegética dos textos bíblicos, em diálogo com a história da exegese que remonta aos primórdios  da igreja. Tão evidente é o foco da exegese da Bíblia que seria insignificante aqui uma lista dos testes sobre os quais o debate girou. A prova é literalmente esmagadora. No entanto, não foi realizada, em isolamento,  teve lugar consciente como parte da grande tradição da Igreja. (52)

Os evangélicos de hoje não fazem o mesmo esforço em direção à catolicidade. Como resultado, acabamos repetindo erros do passado.

Talvez fosse poupado um monte de confusão se Pinnock, Sanders e Boyd (ex.  defensores do Teísmo Aberto) estivessem conscientes de que aquilo que desfilou como um excitante novo desenvolvimento era apenas uma repetição do Socinianismo? Não haveria ajudado se tivessem tido conhecimento de que sua alegação de que a igreja era mantido em cativeiro pela filosofia grega nasceu da ignorância que esta teoria tinha sido refutada várias vezes? (55)

E quanto ao primeiro ponto, Letham adverte que antes do belo Cristianismo histórico (porque vivemos em um contexto mundial excitante) devemos lembrar que a fé católica não veio dos Estados Unidos ou da Europa.

Há aqueles que afirmam que estamos entrando em uma era inteiramente nova que exige uma mudança total de paradigma no pensamento e ação da Igreja. Neste caso, a teologia histórica é meramente uma curiosidade. Talvez haja alguma conversa em andamento, mas o debate tem evoluído. O passado é efetivamente posto de lado uma vez que numa conversa, assim como o progresso é de modo sutil e dinâmico, tornando obsoletos e irrelevantes os comentários feitos há cinco minutos. Muitas vozes louvam a ideia de que a igreja vai ser liberta de seu cativeiro  ocidental europeu e norte-americano. Este não é o ponto que os alicerces foram previstos pelos egípcios (Tertuliano, Cipriano e Agostinho) e um sírio (João de Damasco) sem falar dos apóstolos (judeus do Oriente Médio). Este dificilmente parecem com os europeus ocidentais nem mesmo com os norte-americanos.

Esta é a conclusão de Letham:

O cristianismo mundial no séc. XXI para ser verdadeiramente católico, precisa ser apostólico – fundamentado nas Escrituras e construído  sobre o ensino da igreja. É evidentemente preocupante que muitos dos que saltaram no movimento da globalização – principalmente neste país*- estão prontos para ir além do fundamento. Por outro lado, minha impressão é que está faltando para muitas igrejas evangélicas e Reformadas uma apreciação da catolicidade histórica da igreja. Somente quando essas distorções forem corrigidas será possível de forma significativa reafirmar com Constantinopla I, “Nós acreditamos em uma, santa, católica e apostólica.” (57)

Se você puder ter em suas mãos o WTJ, leia Letham, e enquanto estiver lendo, leia também o artigo de Paul Helm  sobre a deturpação de B.B Warfield, também é muito bom.

Além disso, leia alguns livros antigos, mesmo com idade superior à Reforma de vez em quando.

* Estados Unidos – nota do tradutor.

http://thegospelcoalition.org/blogs/kevindeyoung/2010/05/13/catholicity-and-apostolicty/

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Um comentário em “Catolicidade e Apostolicidade

  1. texto excelente, realmente só assim veremos aquilo que cristo disse, uma só fé, um só batismo e consequentemente uma só igreja, una, santa, católica e apostólica, fiquem com Deus, e que maria santissima os cubra com seu manto sagrado……

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