Uma Dose de Sabedoria de Calvino

Voltei a ler As Institutas, na magistral tradução de Odayr Olivetti. Cheguei a um assunto que me desperta bastante curiosidade. Sempre fico curioso em toda a questão que envolve pensamento, imaginação, inteligência e coisas afins. Acredito que saber como funcionamos é algo de suma importância. As escrituras diz: tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.( Filipenses 4.8). Concluí-se que o pensamento é como raíz de algo muito maior. Muitas vezes por não sabermos a importância de termos pensamentos puros nos leva a brincar com pensamentos perigosos. O Senhor nos advertiu que daremos conta de qualquer palavra torpe que dissermos. Isso já me levou a pensar por que o Senhor daria tanta importância a algo tão pequeno, uma palavrinha banal que não seria levada a sério por quem ouve, mas por que O Senhor se importaria?

Sou jovem, solteiro, não é incomum, ao deitar vir pensamentos espúrios à minha cabeça. Muitas vezes pensei que isso fosse algo de pouca monta. Mas cada dia penso que isso pode ser a raíz de um grande problema. Uma ação pecaminosa não vem de supetão. Quando alguém chega a trair sua esposa, isto já foi mais que amadurecido. O nosso inimigo é ardiloso. Ele sabe que não ganhará a batalha se vier para cima de uma vez. Ele tenta-nos com um pensamento(As Escrituras chama de dardos inflamados do maligno), se o aceitarmos, logo estaremos enchendo a nossa imaginação, isso ganhará nosso consentimento e irá aos poucos tornando desejoso até ao ponto de amarmos tanto a ideia de fazermos aquilo que numa primeira oportunidade, não pensaremos duas vezes. A história de Davi com Bate-Seba é uma boa ilustração. Davi havia acabado de acordar, ou seja, estava meio sonolento, quando viu Bate-Seba pela janela, o pensamento veio, ele o acolheu, a imaginação foi a mil e sabemos o fim da história.

O meu conselho para você que preza pela alegria do Senhor, não aceite pensamentos maus que são sugeridos a sua mente, faça alguma coisa, você ainda não resistiu até ao sangue, não deixe que um pensamento carnal surripie a sua força, porque a alegria do Senhor é a nossa força. Não troque o direito de primogenitura por um prato de lentilhas. Não pense que o Senhor não afastará o Seu rosto de você, após seu namoro com o inimigo. Porquanto quem se faz amigo do mundo se faz inimigo de Deus. Não imagine que não irá comer do fruto que está a plantar. Porque Deus não se deixa escarnecer, aquilo que o homem plantar irá colher. Não pense que o arrependimento é algo que você pode fazer a qualquer momento, pois não leste de que Judas Iscariotes após trair o Mestre se encheu de remorso, mas isto não o ajudou em nada, veja também Esaú e outras histórias na Bíblia. As Escrituras nos diz que Deus é quem nos dá o arrependimento.

Abaixo uma dose de sabedoria de Calvino que somando a outras me levou a pensar:

“Confesso que Platão parece ter razão quando diz que há no homem cinco sentidos. A estes ele chama instrumentos, pelos quais o senso comum, que é como um universal respeitável, concebe todas as coisas externas, que se apresentam à visão, à audição, ao paladar, ao olfato e ao tato. Depois, a imaginação discerne o que o senso comum concebeu e apreendeu; a seguir, a razão faz o seu trabalho julgando o todo. Finalmente, acima da razão está a inteligência, que contempla com atenção séria e demorada todas as coisas sobre as quais a razão discorre e discute. Assim é que existem três virtudes na alma relacionadas com o conhecimento e o entendimento e que, por isso, são chamadas faculdades cognitivas, quais sejam: a razão, a inteligência e a imaginação. A essas correspondem outras três, que dizem respeito ao apetite, ao desejo. São elas a vontade, cuja função é desejar o que a inteligência e a razão lhe propõem; a cólera ou ira, que segue o que lhe apresentam a razão e a imaginação; e a concupiscência, que toma o que lhe é oposto pela imaginação.

Embora todas estas coisas sejam verdadeiras, ou ao menos pareçam tais , ainda assim é preciso cuidado – que não no distraiamos, porque há o perigo de que elas pouco nos ajudem e de que nos atormentem muito por sua obscuridade”*.

*As Institutas – vol. 1 – pág. 92 – Editora Editora Cultura Cristã – Tradução de Odayr Olivetti da edição original francesa de 1541.

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