John Murray – Romanos 12

John Murray foi um grande teólogo reformado escocês que viveu maior parte de sua vida nos Estados Unidos. Ele tem uns insights muito bons, como este excerto no seu comentário de Romanos, publicado no Brasil pela editora Fiel. Romanos 12 1-15.

O termo “fé” não deve ser entendido no sentido daquilo em que nós cremos, a verdade do evangelho (cf. Gl 1. 23; 1Tm 5;8; Jd 3). Não poderíamos dizer que isso foi distribuído a cada crente por medida; o termo “fé” deve ser entendido como a fé exercida pelo crente. Outrossim, ‘medida da fé” não deve ser entendida como se a fé fosse uma quantidade que pode ser dividida em partes e, portanto, ser medida em porções. “Medida da fé” deve refletir diferentes aspectos em que a fé precisa ser exercida, em face da diversidade de funções existentes na igreja de Cristo…

Todo crente recebe aquilo que o apóstolo chama de sua própria “medida”. A indagação é: por que essa outorga distinguidora, que subentende a chamada para o seu próprio exercício da mesma, foi referida como “a medida da fé”?

Não devemos supor que esteja em foco o significado da fé que visa à salvação, como se a possessão e o exercício de determinados dons implicasse em maior grau de fé salvadora ou em um mais rico exercício implicasse em maior grau de fé salvadora ou em um mais rico exercício daquelas virtudes que são a evidência dessa fé e são denominadas frutos do Espírito (cf. Gl 5.22-24). Todos os crentes, sem qualquer distinção, são chamados a exemplificar essa fé  e o seu respectivo fruto. Porém, conforme fica demonstrado pelo contexto susbsequente, aquilo que está subentendido na medida da fé envolve limitação à esfera das atividades que cada dom em particular atribui a seu possuidor. Isto é chamado de medida da fé no sentido da fé que é adequada ao exercício deste dom; e esta nomenclatura é utilizado para enfatizar o lugar fundamental que a fé ocupa não somente em nos tornarmos  membros dessa comunidade, mas também nas funções específicas que realizammos como membros dela. Nenhum dom é exercido à parte da fé dirigida a Deus e, mais especificamente ainda, dirigida a Cristo, em consonância com as palavras do apóstolo em outra carta: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13)

Com razão os comentadores nos têm chamado a atenção para a diferença a respeito da medida entre Cristo e os membros de seu corpo. Ele é “cheio de graça e verdade”(Jo 1.14), agradou ao Pai que “nele residisse toda a plenitude” (Cl 1.19), e nele”todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl 2.3). Não há medida  que limite os seus dons. Na igreja, porém, há uma distribuição de dons, e cada membro possui sua própria medida, para a qual há uma fé correspondente; os dons são exercidos mediante esta fé e dentro de seus limites.

A diversidadede de dons e funções, referida no final do versículo 3, é ilustrada e reforçada no versículo 4, mediante um apelo ao corpo humano. Assim como o corpo humano tem muitos membros, com suas funções particulares, assim também acontece na igreja de Cristo. A característica significativa dessa evocação ao corpo humano aparece no versículo 5: “Assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros”.

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