Religião vs Razão

Por Burk Parsons

Em nossos dias, ao contrário dos dias das gerações passadas, temos uma visão muito simplista do significado de crer em algo. No mundo de hoje, muitas pessoas usam a palavra “crer” para descrever seus sentimentos sobre algo ou um desejo fugaz ou um desejo esperançoso. Porém, quando consideramos a palavra crer, ou fé à luz de seus significados bíblicos, vemos que a palavra implica no ato gracioso de Deus de dar e nosso humilde ato de receber e descansar em Cristo somente, o qual envolve nosso ser completo: o coração, a mente e a vontade.

Embora usemos a palavra crer em conjunto com todas as áreas da experiência humana, geralmente quando usamos é no seu contexto de crença religiosa. A palavra “religião,” no entanto, e todos os seus derivados, têm caído em tempos difíceis recentemente devido ao uso amplamente inapropriado por um longo período entre aqueles que não entenderam a verdadeira religião Cristã nem o genuíno relacionamento com Cristo pela fé somente no qual toda doutrina Cristã é estabelecida. Deste modo preferem enfatizar seu relacionamento pessoal com Cristo acima e contra a religião que vem como uma necessária e apropriada consequência desta relação, muitos Cristãos, com as melhores das intenções, têm relegado sua fé para alguma área da vida mais do que permitido sua fé superabundar para cada área da vida, a qual é a natureza essencial da fé por si mesma – abrangendo toda a vida reconhecendo, afirmando e aplicando a doutrina Cristã que nós cremos, confessamos e proclamamos.

No Novo Testamento, Tiago (1.22-25) repudia a religião “vã” daqueles que são meramente “ouvintes” da Palavra sem serem de fato “praticantes” da Palavra, escreve: Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã. A religião pura e sem mácula, para com Deus e Pai, é esta: visitar órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo (Tiago 1.26-27).

O ponto de Tiago é simples – se nossos discursos (v.26) e nossas vidas (v.22) não demonstram a autenticidade da religião pura e imaculada, então, estamos simplesmente enganando a nós mesmos e enganando os nossos corações(v. 22,26).

Enquanto é certamente fácil entender por que alguns falam de religião de modo pejorativo, precisamos ser cuidadosos para usar as palavras em seus contextos apropriados de acordo com suas definições históricas. Mesmo Charles Spurgeon usava frequentemente a palavra religião de um modo apropriado para descrever a vida e fé Cristã extensiva a tudo. No sermão de Deuteronômio 32.47, “Porque esta palavra não é para vós outros coisa vã, antes, é a vossa vida…,” Spurgeon criticou a meramente aparência exterior, as cerimônias religiosas supersticiosas de homens (como fez o Apóstolo Paulo em Atos 17), mas em seguida empregou a palavra religião positivamente quando disse:

“mas com todos esses subsídios, nós, ainda, nesta manhã afirmamos mais positivamente que a religião de Jesus Cristo, a qual foi revelado a nós pelo Espírito Santo pelos apóstolos e profetas, e especialmente pelo próprio Messias, quando verdadeiramente recebida dentro do coração, não é coisa vã.”

No melhor e mais apropriado sentido da palavra, religião é uma palavra útil que usamos para descrever a nossa fé, a qual compreende cada aspecto da nossa vida Cristã, enraizada e que flui para fora de nossos novos corações espiritualmente regenerados e mentes firmadas na relação que Deus estabeleceu conosco.

No quarto século, Agostinho defendeu o uso da palavra latina religio por realçar sua etimologia re-ligare, a qual significa, “para reunir” ou “para unir”como em um vínculo pactual entre o homem e Deus. A palavra religião, corretamente entendida, reúne tudo o que acreditamos de modo a viver para toda a vida. Além do mais, se considerarmos as definições léxicas da palavra religião, observaremos que a religião não é somente um sistema pessoal de crenças mas também o que uma pessoa pratica, observa e para que se devota. Como Herman Bavinck escreveu: religião não deve ser apenas algo na sua vida, mas tudo. Jesus manda que nós amemos a Deus com todo nosso coração, toda nossa alma e toda nossa força.

Leia o original completo no link abaixo

http://www.reformation21.org/articles/faith-vs-religion.php

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